Não pude deixar de escrever algo à respeito. Vou ser breve e direta e começo dizendo que acho a expressão "cotas raciais" péssima. Me remete à ideia de preconceito, me passa uma conotação muito negativa.
Bem, e o que o STF decidiu POR UNANIMIDADE - como se faz questão de dizer por aí - foi apenas tornar constitucional a reserva de vagas para afrodescendentes nas universidades do país. Ainda haverá um longo caminho para que as entidades de classes (ou de raças) pressionem essas instituições para que essa reserva se instale de fato nas universidades.
Ainda que o ministo do STF, Gilmar Mendes, tenha apontado para que o critério mais adequado para a criação de uma cota deveria ter sido o da renda, eu pergunto: para que precisaríamos de cotas seja para essa ou aquela minoria (digo minorias, em termos de poder e não de quantidade de pessoas) se a Escola Pública cumprisse com excelência o seu papel?
E, ainda fico me perguntando se tanto o Poder Público, quanto os favorecidos por essa medida teem realmente uma crença genuína de que ações como estas significam um avanço de fato.
Do meu ponto de vista, a aprovação de cotas raciais (como eu detesto esse nome!) nas Universidades podem gerar mais complicações do que soluções, principalmente no longo prazo.
Pensar e tratar as minorias, sejam elas quais forem, de maneira assistencialista e protecionista é a forma mais eficaz de mantê-las como minorias, mesmo quando a intenção é boa.
Sabem o que eu sinto? Sinto como se o Sistema Educacional deste país como um todo (e aqui eu incluo todos os níveis da Educação, as escolas e as universidade particulares também) funcionasse como uma RODA QUADRADA. E as pessoas ficam tentando aperfeiçoar a "quadradiçe" dessa roda como se a solução estivesse nesse caminho.
Temos de abandonar essa ideia fixa da RODA QUADRADA e começar a construir uma RODA REDONDA que é o que vai fazer a nossa Educação parar de andar aos trancos e barrancos literalmente.
Muito mais trabalhoso? Muito mais demorado? Sem dúvida a resposta é:SIM! Mas é a nossa única saída.